Pão assado no forno em Minas Gerais não é só pão. É ritual.
É acordar cedo quando a neblina ainda está baixa no quintal, acender o forno a lenha que foi do avô, e sentir aquele cheiro de fumaça boa misturada com café coado na hora.
Em Minas, o pão não tem pressa. A massa cresce devagar, coberta com um pano de prato bordado, enquanto a prosa vai rolando na cozinha. Vai banha de porco ou manteiga da roça, vai fubá mimoso, vai queijo curado ralado na hora — aquele que range nos dente. Cada família tem seu segredo.
O forno estala. A lenha de eucalipto vira brasa. E quando a porta de ferro se abre, o calor abraça a gente.
O pão entra pálido e sai dourado, com a casca estalando, cantando. Por dentro, miolo macio, fofo, puxa-puxa, ainda fumegando. A gente não espera esfriar. Corta com a mão mesmo, passa manteiga que derrete na hora, e come ali, em pé, do lado do forno.
É o pão da visita que chegou sem avisar. É o pão da merenda das crianças depois da escola. É o pão que a mãe manda embrulhado em pano limpo para o filho que mora longe.
Em Minas, pão assado no forno é lembrança, é afeto, é casa. É o cheiro que fica na roupa, na memória e no coração.

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